Bom, se você chegou nesse artigo, provavelmente deve ser fã de mesas online com grandes interpretações, como as do Critical Role ou as de Ordem Paranormal, mas, a partir deste parágrafo eu vou pedir para que esqueça elas, pois eu vou te mostrar uma visão um pouco diferente das coisas.
Sabe, eu também já fui assim, cheguei a ter vontade de fazer teatro somente para melhorar minhas interpretações como mestre de RPG, isso porquê eu coloquei na cabeça de que minhas mesas precisavam ser cinematográficas, com diálogos e cenas inesquecíveis… E sinceramente? RPG com os amigos não é sobre isso.
Depois que minha prima me apresentou “vampiro a máscara” aos meus 12 anos, fiquei fissurado pelo hobbie e logo fui procurar para ler o título mais famoso “D&D”, o curioso é que acabei por ler “AD&D”, admito amar sistemas Old School’s, mas AD&D me colocou uma pulga atrás da orelha, ele reafirmava várias vezes que os personagens deveriam ser interpretados e aquilo não entrava na minha cabeça, parecia “infantil” ou então vergonhoso, mas com o passar do tempo você cria um vínculo com os personagens e interpretar magicamente se torna “natural”. Fazer vozes ou se vestir como o personagem é completamente opcional, o que você realmente precisa é ser coeso e conciso, conhecer e entender a figura que criou no mais alto nível, para que fique cada vez mais fácil de saber “o que ele faria nessa situação”.
Então, com os meus 14 anos de experiência interpretando personagens de RPG, eu venho compartilhar com vocês 2 dicas que sempre uso para melhorar minha empatia com esses seres escritos em papel.
Para conhecer bem o seu personagem é preciso fazer perguntas e responder como ele, coisas banais, mas que aos poucos vão incorporar a sua narração e torná-los dignos de empatia:
Qual o seu hobbie?
Você já amou? Como foi?
Como foi a primeira vez que fez sua coisa favorita?
Qual sua comida e bebida favorita?
Se pudesse fazer qualquer coisa, o que faria?
Você é mais de acreditar em palavras ou ações?
Qual seu animal favorito?
Sei que parecem aleatórias, mas elas servem bem ao propósito e claro que são apenas alguns exemplos, você pode adaptar as perguntas ao tipo de sistema ou cenário que está jogando. Um bom exemplo com o sistema “Pólvora & Fábulas” é perguntar o que você faz no buraco? Ou então qual é a sua arma favorita? Ou até qual raça você realmente não gosta de enfrentar? E por aí vai…
A segunda dica é dar traços e características que tornem o seu personagem único e favoreçam a sua associação ou a de outros jogadores. É mais fácil de lembrar de um taverneiro com uma cicatriz no olho do que de um pedestre comum. Ou então um grande guerreiro que sempre fala em enigmas ou o mais erudito filósofo, que adora contar piadas em momentos inconvenientes. Fato importante é que você deve escrever ao menos 3 traços para o seu personagem, “um físico”, “um comportamental” e “um social”.
O físico vai se tratar de alguma característica óbvia quando olham para ele, seja ser alto, ter um sorriso bonito, cabelos diferentes, olhos de duas cores, mãos trêmulas, manco de uma perna e por aí vai. O limite é sempre a sua criatividade.
O comportamental é referente a como ele age, seja um personagem medroso, cômico, animado ou desanimado, romântico, fúnebre, astuto, empolgado, que estrala os dedos antes de um combate ou que está sempre brincando com uma moeda, quem sabe ele pisque muito ou espirre toda vez que chega perto de um animal, talvez a chuva lhe dê sono ou então ele seja sonâmbulo. Novamente, é você quem decide e sabe o que será mais fácil de interpretar.
Por fim, o social vai de como ele se comporta sozinho e em grupo. É alguém falante ou calado, mentiroso ou extremamente sincero, ele entende rapidamente as situações ou tem um raciocínio lento, ele olha nos olhos para conversar ou desvia o olhar, quem sabe ele tenha a língua presa ou gagueje?
Tenho certeza que se aplicar essas dicas, “interpretar” não será mais um obstáculo em sua jogatina e sim mais uma ferramenta de diversão. Então tenha boas rolagens e sempre muita diversão!